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Biografia

Nascida em Cuiabá, atravessou fronteiras e conquistou o mundo com coragem, inteligência e sensibilidade.
Fundadora da Mídia Ninja, do Fora do Eixo, da Floresta Ativista e de tantas redes que transformaram o modo de fazer política e cultura no Brasil, Mari acreditava que comunicação é ferramenta de libertação — e que cuidar da Terra é cuidar de si e dos outros.

Marielle Ramires inspirou uma geração de ativistas ao articular cultura, comunicação e meio ambiente em redes colaborativas. Marielle Ramires foi uma comunicadora cuiabana e mulher negra cuja vida se entrelaçou com as lutas por cultura livre, direitos humanos e justiça climática no Brasil.

Desde muito jovem, Marielle esteve envolvida na cena cultural independente de Cuiabá – promovendo festivais como o “Grito Rock” e fortalecendo a produção artística local e colaborativa. Em 2005, ela despontou nacionalmente ao cofundar o coletivo Fora do Eixo, uma articulação de coletivos culturais criada para promover a circulação da produção artística pelo país. Essa rede inovadora espalhou pontos de cultura e “casas” colaborativas em diversas regiões, revolucionando o fazer cultural com economia solidária, tecnologia social e troca de saberes.

Na década seguinte, Marielle consolidou-se como referência do jornalismo independente e ativismo digital. Em 2011, participou da criação da Mídia NINJA, projeto de mídia colaborativa dedicado a dar voz a narrativas marginalizadas e amplificar lutas sociais. Dentro da Mídia NINJA, Marielle foi uma liderança estratégica: estruturou o coletivo desde os primeiros passos, ajudando a transformá-lo em um dos principais veículos de ativismo e cultura digital do país. Seu trabalho sempre uniu comunicação e militância, provendo cobertura audiovisual engajada de protestos, eleições e eventos culturais, e articulando redes de resistência em todo o território brasileiro.

Paralelamente, Marielle se destacou na defesa de causas socioambientais e dos povos originários. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a proteção da Amazônia e dos territórios tradicionais.

Esteve ao lado de lideranças indígenas em mobilizações históricas – como o Levante Pela Terra (Brasília, 2021) – e representou o Brasil em espaços globais importantes, a exemplo da Cúpula do Clima da ONU nos EUA e de um acampamento internacional antimineração no Equador, sempre amplificando as vozes dos povos originários nessas arenas. Sua capacidade de articulação internacional também se evidenciou quando atuou como consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), contribuindo na construção do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) no Brasil – iniciativa que aprimorou as parcerias entre governo e entidades sociais.

Marielle foi igualmente protagonista na luta por equidade de gênero e protagonismo feminino. Integrante da rede ELLA (Encontro Latinoamericano de Feminismos), que conecta movimentos feministas em mais de 60 países, ela trabalhou para fortalecer mulheres em espaços de decisão. Em 2018, engajou-se na campanha presidencial de Sônia Guajajara, primeira mulher indígena candidata à Vice-Presidência da República, acreditando na urgência de levar as vozes femininas e indígenas ao centro do poder. Afeto e firmeza marcaram seu modo de fazer política. Colegas destacam que Marielle “combinava doçura e firmeza, serenidade e sentimento de urgência” em tudo que fazia, demonstrando que é possível lutar por transformações estruturais sem perder a humanidade e a empatia.

Em seus últimos anos, Marielle concentrou esforços na pauta climática e amazônica. Coordenou a Casa NINJA Amazônia, um espaço de articulação política e cultural na região Norte que fortalece iniciativas locais e a conexão entre ativistas amazônidas.

Também idealizou a rede Clímax.now, frente de justiça climática da Mídia NINJA que une cultura e meio ambiente, e com ela circulou por 7 dos 9 estados da Amazônia Legal em 2023 na Casa NINJA Amazônia Tour, conectando comunidades, registrando histórias e amplificando denúncias em toda a floresta. Mesmo diante de desafios pessoais, Marielle manteve seu compromisso com a causa climática: em novembro de 2023, esteve em Dubai cobrindo a COP28 pela Mídia NINJA, levando às negociações internacionais uma perspectiva de mídia ativismo e cobrando justiça climática para países em desenvolvimento.

No final de 2024, Marielle compartilhou publicamente que enfrentava um câncer, num relato corajoso sobre os desafios físicos e emocionais dessa batalha. Apesar das adversidades, manteve acesa a esperança e a fé – “buscando serenidade e força até o último momento”.

Marielle Ramires acestralizou em 29 de abril de 2025, aos 45 anos, em São Paulo. Sua partida provocou uma onda de homenagens e reconhecimento: ativistas, jornalistas, artistas e autoridades lamentaram a perda da “guardiã das agendas socioambientais” e exaltaram seu papel transformador nos bastidores de tantos movimentos. Como disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Marielle foi “alguém que tocou profundamente a vida das pessoas com as quais conviveu, e que usou, sobretudo, o poder da palavra”. A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou que “Marielle continua sendo em nós. Cultura, comunicação, mulher e meio ambiente” – uma síntese poética de seu legado multifacetado.

Hoje, a Fundação Marielle Ramires mantém viva essa herança. Cada projeto, cada articulação e cada história aqui apresentada reflete um aspecto da jornada de Marielle – uma vida dedicada a plantar sementes de cultura, justiça e transformação social. Que essas sementes continuem germinando e inspirando novas gerações de lutadoras e lutadores, honrando para sempre a memória de Marielle.

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