Reconhecendo a urgência de proteger a Amazônia e dar voz às comunidades da floresta, Marielle foi cofundadora da Casa NINJA Amazônia. Criada por volta de 2019, essa iniciativa estabeleceu uma base de articulação político-cultural na região Norte, atuando como casa colaborativa em cidades amazônicas (como Manaus e Belém) e como rede de apoio a ativistas locais. Marielle exerceu a função de coordenadora executiva da Casa NINJA Amazônia, liderando projetos de comunicação comunitária, documentação de lutas socioambientais e empoderamento de lideranças indígenas e quilombolas. A Casa NINJA Amazônia tornou-se um ponto de convergência para diversos movimentos – dos povos da floresta a coletivos urbanos – sempre com a missão de promover intercâmbio cultural e resistência contra a destruição ambiental.
Em 2023, Marielle capitaneou uma empreitada ambiciosa: a Casa NINJA Amazônia Tour – “Refloresta Já”. Nessa caravana, realizada em etapas, uma equipe percorreu por terra todos os estados da Amazônia Legal brasileira e até parte da Bolívia, conectando-se com iniciativas de base e comunidades locais. A primeira etapa da Tour ocorreu em maio de 2023, durou 31 dias e rodou 8.000 km, visitando 23 cidades em Mato Grosso, Rondônia e Acre, além de comunidades na fronteira boliviana. “A ação contou histórias, conectou potências e trocou saberes e conhecimentos com realizadores, comunidades e povos da maior floresta tropical do mundo”, relatou Marielle na época. A jornada iniciou simbolicamente em Cuiabá – berço do Fora do Eixo – evidenciando a continuidade de uma luta iniciada 20 anos antes, agora direcionada à defesa da Amazônia.
Marielle e sua equipe promoveram oficinas, rodas de conversa e intervenções artísticas em várias localidades, abordando comunicação popular, economia da floresta e direitos dos povos indígenas. Em depoimento, Marielle diagnosticou os desafios observados na rota: “presenciamos a tentativa de monoculturalização de vários aspectos da vida, como economia, agricultura, religião, cultura e política”, disse ela, contrastando o avanço do agronegócio e do desmatamento com alternativas sustentáveis encontradas localmente, como os Sistemas Agroflorestais e projetos de reflorestamento. Ela denunciou o impacto dos agrotóxicos nos solos e águas da região, a expulsão de pequenos agricultores e a ameaça constante às comunidades tradicionais. Sua análise trazia um contraponto esperançoso ao destacar as soluções simples e resilientes que brotam da própria floresta – reflexo de sua crença de que é na sabedoria local e na cultura que residem as respostas para a crise ambiental.
A Casa NINJA Amazônia Tour seguiu em novas etapas nos meses seguintes, alcançando Estados como Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão, Amazonas e Roraima. Entre as metas declaradas do projeto estava “visibilizar culturas e estimular a reflexão crítica e a potência narrativa das milhares de iniciativas locais que movimentam as comunidades amazônicas”, bem como fortalecer um ecossistema multitemático e multiétnico focado na justiça climática. Marielle articulou diálogos que iam “dos povos indígenas aos hackers, dos quilombolas aos artistas, das populações tradicionais aos coletivos urbanos; das lutas das mulheres à comunidade LGBTQIA+”, num esforço de convergir todas essas pautas na construção de uma “Floresta Ativista”. Esse termo, Floresta Ativista, passou a designar a rede conectiva de comunidades temáticas e territoriais que Marielle ajudou a tecer em torno da defesa das florestas. Em outras palavras, tratava-se de uma comunidade ampliada de guardiões da natureza, trocando conhecimentos e se mobilizando conjuntamente, dentro e fora da Amazônia.
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