Marielle Ramires nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso, e desde muito jovem engajou-se em movimentos culturais independentes. Sua trajetória começou no início dos anos 2000, quando cofundou, em 2002, o coletivo Espaço Cubo ao lado do produtor cultural Pablo Capilé e da comunicadora Lenissa Lenza. O Espaço Cubo surgiu como um laboratório de cultura independente, inicialmente focado em música, economia solidária e produção colaborativa na cena local de Cuiabá. Esse coletivo foi pioneiro em criar alternativas econômicas como a moeda social “Cubo Card” para viabilizar trocas de serviços e estimular a cadeia produtiva cultural fora dos grandes eixos urbanos. Marielle, ainda em seus vinte e poucos anos, era parte essencial dessa iniciativa inovadora que visava “fazer a cultura acontecer” de forma autogestionada e comunitária.
O sucesso das ações do Espaço Cubo e do festival Calango (realizado em Cuiabá a partir de 2001) inspirou a criação de uma rede mais ampla de coletivos. Em 2005, consolidou-se a rede Fora do Eixo (FdE) – assim chamada por organizar-se “fora do eixo” Rio–São Paulo – conectando produtores, artistas e ativistas culturais de várias regiões do Brasil. Marielle esteve presente “desde sua fundação”, como ela própria recordou: “Vi e vivi a fundação e lançamento de tantos projetos que nos fizeram chegar até aqui”. No início de 2006, quando a rede FdE estruturou suas premissas, lá estava Marielle debatendo os eixos centrais: circulação de artistas e jornalistas, distribuição de produtos culturais e produção de conteúdo independente. A ambição era criar um circuito cultural nacional, baseado na colaboração em rede e na economia solidária, permitindo que jovens pudessem “viver daquilo que gostavam de fazer” dentro de uma lógica de “trabalho desalienado”. Nesse contexto, Marielle foi peça-chave, articulando estratégias de comunicação e ajudando a implementar tecnologias sociais inovadoras – como o sistema de troca Card – que se tornaram marca registrada do Fora do Eixo. Essa rede cresceu para abarcar centenas de coletivos pelo país, guiada por valores de colaboração, cultura livre e ativismo político.
Já naquela época, Marielle demonstrava uma visão de mundo transformadora. Em um depoimento de 2013, durante um debate público sobre o FdE, ela revelou a raiz de seu engajamento social: “Eu sonho em viver um mundo justo desde os 10 anos de idade… O que me motivou a estar junto nesse conjunto de coletivos foi acreditar que, como outros muitos de outras gerações, eu também poderia dar o meu quinhão nessa revolução histórica”. Essa frase evidencia a paixão idealista que movia Marielle desde cedo – a crença de que a cultura e a ação coletiva poderiam pavimentar caminhos para um mundo mais justo e compartilhado.
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